Sexta-Feira, 24 de Abril de 2015, 23h:40 A | A

Santa Teresa, no ES, a primeira cidade italiana do Brasil


Vitoria - ES

Foto PMC Santa Teresa ES

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Aspecto da tradicional Festa do Imigrante, em Santa Teresa, interior do Espírito Santo.

 

Um pedido de ressarcimento feito pelo colono Francesco Merlo encaminhado no dia 28 de outubro de 1874 ao presidente da Província. Francesco solicita do governo a restituição dos gastos que teve com a passagem da Itália à Colônia de Nova Trento, no valor de 122 fiorins, pelo fato de não ter sido reembolsado pelo contratante Pietro Tabacchi. O pedido foi deferido pelo Presidente da Província em 26 de fevereiro de 1875. O documento, do Arquivo Público do Estado, é o que referenda Santa Teresa como a primeira cidade fundada por italianos no Brasil.  No documento consta a seguinte informação: “Francesco Merlo, colono italiano estabelecido na Colônia de Santa Leopoldina, no Districto de Timbuhy à margem da estrada de Santa Thereza (...)”.

Essa estrada interligava Vitória à Cuithé, em Minas Gerais, construída entre 1848 a 1857 e cruzava as serras capixabas seguindo o traçado do rio Timbuhy, onde se encontra a cidade de Santa Teresa. A partir da descoberta desse documento confirma-se que o município sediou a primeira colônia de imigrantes italianos do Brasil, de acordo com o Arquivo Público. Em 17 de fevereiro de 1874 chegava ao porto de Vitoria o navio “La Sofia”, conduzindo 388 imigrantes italianos provenientes, em sua maior parte, da província de Trento. Eles foram contratados por Pietro Tabacchi, que possuía a fazenda “Monte das Palmas”, em Santa Cruz.

O empreendimento, porém, não prosperou, provocando descontentamentos e revoltas por parte dos colonos. Um grupo seguiu para colônias oficiais do sul do Brasil enquanto outros aceitaram a proposta do governo do Espírito Santo para se instalar na “Colônia Imperial de Santa Leopoldina”, sendo direcionados ao Núcleo de Timbuhy, no atual município de Santa Teresa.

Comemoração - O documento foi entregue pelo diretor do Arquivo Público Estadual, Cilmar Franceschetto, ao prefeito da cidade, Claumir Zamprogno, no dia 20 de fevereiro, em evento pela comemoração 124 Anos da Emancipação Política de Santa Teresa. Dos dias 20 a 22 de fevereiro, as ruas do Centro Histórico de Santa Teresa foram tomadas por música e diversas programações culturais. O secretário de Turismo e Cultura de Santa Teresa, Murilo Vago, destacou como a cultura italiana se mantém viva no município. “A cultura italiana pode ser percebida até hoje em nossos costumes, culinária, festejos, e arquitetura. A comprovação (de que a cidade é a primeira fundada por italianos no Brasil) só afirma uma certeza que nós, teresenses, já tínhamos”.

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Comentários (3)

  • Rita Paulo | Segunda-Feira, 10 de Agosto de 2015, 18h37
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    Como adquirir???

  • Ezzio Savoi C B Cunha | Sexta-Feira, 26 de Junho de 2015, 07h49
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    Matéria maravilhosa, parabéns Fernanda Coutinho!!! Parabéns a Revista Insieme!!! Aqui em Minas temos descendentes da família Merlo. São pessoas maravilhosas, lutadoras, livres e de bons costumes. Atenciosamente, Ezzio Savoi Cassimiro Browne Cunha Presidente Circolo Trentino di belo Horizonte

  • Giliard Cesconeto Gava | Segunda-Feira, 27 de Abril de 2015, 15h59
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    Uma correção: Santa Tereza pode ser a primeira cidade fundada no Brasil depois da Itália unificada, mas não foi a primeira experiência de colonização com povos que hoje pertencem à Itália. Segue abaixo as informações da Colônia Nova Itália, fundada em 1836, em Santa Catarina, desde muito tempo consagrada como a primeira colônia italiana do Brasil. A Colônia Nova Itália (ou Dom Afonso) começou a constituir-se em 1836 na então província de Santa Catarina (Brasil) com a chegada da Europa de 132 imigrantes do Reino da Sardenha, que foram colocados pelo italiano inglês Carlos Demaria e pelo suiço Hennrique Schutel, à margem do rio Tijucas Grandes, imediações de São João Batista, então pertencente ao município de São Miguel. Para a primeira instalação o governo provincial fez aos empreendedores uma concessão especial de mil braças, com caráter provisório e ainda não demarcadas, à qual foi posteriormente acrescida outra de duas léguas em quadro, compreendendo as duas margens do rio. Em virtude da lei provincial n. 7 de 15 de junho de 1836 os concessionários eram obrigados a demarcar as terras no prazo de dois anos e a distribuir os lotes no máximo e quatro anos. Pelo fato de não ter sio obedecido esta cláusula e por ter surgido um litígio com os outros interessados, na primeira concessão, o certo é que a fundação da colônia foi cheia de lutas e de dificuldades. À primeira leva de colonos não sucederam outras. Em 1837 houve uma incursão de bugres e em 1838 sobreveio grande inundação, o que causou a retirada de muitos colonos. Em fins de 1838, só existiam ali 30 famílias com 122 pessoas. Em 1839, tendo nascido na colônia 14 e sendo assassinados pelos bugres 8, existiam 128 pessoas. Em 1842 houve um pequeno aumento, sendo registrados 29 famílias com 133 pessoas. A seguir houve contestações entre os empreendedores, colonos e outros interessados e, por fim, mesmo com o próprio governo provincial que queria obrigar os contratantes à demarcação da concessão, obrigação esta expressa na lei já citada. Os colonos foram muitos oprimidos pelos administradores do empreendimento. Há alguns relatos de fatos que atestam o ocorrido. Em 1854 a colônia era considerada como que fazendo parte da freguesia de São João Batista, não possuindo regime especial de colônia e regendo-se como os demias vizinhos pelas leis comuns. Seus habitantes eram católicos e viviam em harmonia com os naturais do país, cujos costumes em pouco tempo adotaram. (fonte: Colonização do Estado de Santa Catharina)



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