Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2014, 09h:16 A | A

Sorveteiros de Longarone participam da Expointer que abre sábado, em Esteio-RS

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CURITIBA – PR – A Itália estará presente na 37ª edição da ExpoInter que abre neste sábado (30/08/2014), no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio – Rio Grande do Sul. A participação italiana acontece através de uma equipe de empresários capitaneados pelo presidente da Longarone Fiere, Oscar De Bona, que traz para o Brasil a experiência da “Mostra Internazionale del Gelao Artigianale dei Longarone”. Os sorveteiros de Longarone são conhecidos em todo o mundo e este ano a “Mostra Internazionale del Gelato Artigianale di Longarone” acontecerá entre 30 de novembro a 3 de dezembro.

“A ExpoInter quer oferecer a oportunidade ao público de conhecer o sorvete artesanal italiano e para isso serão organizados cursos de formação especificamente destinados a pessoas que queiram produzir e vender sorvetes nas cidades do Rio Grande do Sul e em outros Estados do sul do Brasil”, disse De Bona, que é presidente também da “Assoziazione Bellunesi nel Mondo”. A ideia partiu do consultor vêneto para o RS, Cesar Prezzi, e conta com a participação da empresa Pregel. A Expointer é uma das maiores feitas da América do Sul para os setores da agropecuária e zootecnia e funcionará até o dia 7 de setembro.

HISTÓRIA - Segundo Prezzi, os sorveteiros de Longarone, conhecidos no mundo inteiro, têm uma história de mais de meio século que pode ser resumida no texto que reproduzimos abaixo:

“Não se sabe com certeza quem inventou o sorvete. Talvez, como sugere a interpretação de alguns textos antigos, foram os árabes ou os chineses.
Porem é certeza que a difusão da atividade das sorveterias, antes na Itália, depois em toda a Europa e em outros países no exterior, se deve aos sorveteiros da província de Belluno, aos Cadorinos e aos Zoldanos em particular, sempre obrigados a emigrar a causa da dificuldade da vida na montanha.
Se hoje em dia o sorvete artesanal é algo de conhecido no mundo, tanto na Europa como aqui na América Latina, no Japão e no mundo inteiro, o devemos em grande parte a eles.
A história começa entorno a metade de 1800. Foram tempos muito duros, os primeiros anos de imigração no mundo. Os habitantes das vales bellunenses, que começavam as atividades com as próprias carrocinhas, contrastaram as muitas dificuldades com tenacidade e fantasia: como quando em Viena, perante a negação para a emissão de licenças para os vendedores ambulantes, os sorveteiros de Cadore e de Zoldo alugaram pequenos locais comerciais, dando vida ao nascimento das primeiras sorveterias. E não é um caso que tenha sido próprio um habitante de Cadore, Italo Marchioni, emigrado da Peaio di Vodo di Cadore nos Estados Unidos, que depois de alguns experimentos iniciados em 1896, patenteou no dia 13 de dezembro de 1903, como confirma o escritório de marcas e patentes de Washington, um molde para fabricar copas e waffles para sorvete.
A atividade dos sorveteiros aumentou ano apos ano em maneira considerável.
Apos isso, os dois conflitos mundiais acabaram com inteiras fortunas, mas a estrada já estava traçada e tudo começou novamente com desconforto, sacrifícios e novas exigências, como a necessidade de modernizar os locais e os instrumentos para se regularizar com as primeiras normativas sobre a higiene nos locais públicos. Se sentia sempre mais a obrigação de ser muito bem informados e preparados para poder desenvolver com critérios empreendedorísticos a atividade de sorveteiro e competir com o produto industrial que começava a se propagar.
Assim, foi natural para os sorveteiros, que estavam voltando para as próprias terras depois da temporada de trabalho, sobretudo no exterior, a criar momentos de encontro entre eles e com as industrias italianas e estrangeiras produtoras de maquinas, equipamentos e matérias-primas para a preparação do sorvete.
Essa é a origem da Exposição internacional do Sorvete de Longarone. A sede de Longarone foi escolhida pela sua posição central respeito as vales que possuem o maior numero de sorveteiros e que são facilmente acessíveis também na período invernal.
Longarone é uma cidadezinha situada a uma hora de distância de Veneza e perto de Cortina, no coração das Dolomitas: as montanhas que a UNESCO definiu como Patrimônio Mundial da Humanidade e que são visitadas a cada ano por milhares de turistas provenientes do mundo todo.
A primeira edição da “Exposição Internacional do Sorvete” foi realizada do dia 6 ao dia 13 de dezembro de 1959, com a participação de 18 empresas nacionais e estrangeiras, entre as mais representativas da época. Para a exposição foram utilizados locais públicos e a quadra comunal situada na frente do município.
A iniciativa foi muito aclamada e conquistou rapidamente a atenção e o interesse dos sorveteiros, do empreendedorismo especializado, da população e dos meios de comunicação, todos de acordo sobre a utilidade do evento em termos econômicos e promocionais. Nos anos sucessivos aumentaram as adesões e além dos locais públicos a exposição se evoluiu, em modo particular, na quadra comunal que virou o centro expositivo de referência.
A 5ª edição da Exposição do Sorvete tinha sido programada do dia 1 ao dia 8 de dezembro de 1963: ninguém poderia imaginar que na noite do dia 9 de outubro, dia no qual aconteceu o desastre do Vajont, uma imensa quantidade de água e de lama teria cancelado a cidade de Longarone com todas as suas atividades econômicas, incluindo o projeto, próximo a realização, da Exposição.
Porem a exposição já tinha se tornado indispensável para os operadores econômicos do setor e a 5ª edição já foi realizada no ano sucessivo, em 1964 em Pieve di Cadore, cidadezinha pátria de muitos sorveteiros. 28 empresas participaram ao evento, entres as quais seis eram alemães e uma holandesa, com milhares de visitantes e uma conferência técnica de nível internacional, na qual presenciaram especialistas italianos e alemães como se quisessem sublinhar, dês das primeiras edições, a forte ligação com a Alemanha, aonde a maior parte dos sorveteiros locais tinha dado inicio a própria atividade.
Em dezembro de 1968 a Exposição retornou para Longarone com uma imagem renovada, no meio de vários canteiros da reconstrução da cidade, ocupando uma superfície em geral de 3.000 m². Iniciou então uma nova fase da nossa cerimônia, um evento sempre mais especializado que, ano apos ano, viu aumentar a sua importância até se tornar uma das mais importantes exibições do setor em campo internacional.
Com a edição de 1970, graças a iniciativa de dois sorveteiros de Milão, Giulio Gorlini e Ermenegildo Rachelli, foi criado o concurso “Coppa d’oro” (copa de ouro), um evento artesanal que se afirmou como prestigioso concurso internacional dedicado ao sorvete artesanal, seguramente a mais desejada pelos maestros sorveteiros.
O prestigio atingido, os pedidos de participação que cresciam a ritmos frenéticos e a presencia de operadores profissionais italianos e estrangeiros nos obrigavam a alargar os espaços expositivos, que ainda eram muito limitados. Na área ao lado do rio Piave foi então construída uma estrutura expositiva de 4.000 m² cobertos, que foi inaugurada em 1972: o complexo foi completado mais tarde com a realização de estacionamentos, de escritórios, da sala dos congressos e dos serviços de alimentos e bebidas e isso começou a desenvolver uma atividade na feira mais completa, com novas exposições de sucesso, tipo Arredamont e Agrimont, que continuam até hoje com ótimos resultados.
Os anos ’80 e ’90 foram caracterizados por um forte incremento dos pedidos de participação feitos por empresas do setor, em especial modo por aquelas especializadas na produção de produtos semi-trabalhados para a sorveteria, a qual difusão era em constante aumento. É bonito hoje poder ver que empresas que se tornaram indiscutíveis líderes mundiais, tenham começado a se apresentar ao mercado próprio na feira de Longarone.
Um papel muito importante no desenvolvimento da “Mostra Internazionale del Gelato artigianale di Longarone” foram as fortes ligações mantidas com os sorveteiros e as próprias associações como Uniteis, Ital e Agia (os organismos associativos dos sorveteiros italianos respectivamente da Alemanha, Holanda e Áustria) che reconhecem na MIG a própria “casa” natural.
A Exposição se afirmou nos anos também por ser um momento no qual se elogia a profissionalidade e as habilidades dos próprios sorveteiros e de formação dos jovens. O que contribuiu para isso foram os diversos concursos que foram instituídos para valorizar os múltiplos aspectos e profissionalidade da arte da sorveteria: ao famosíssimo concurso “Coppa d’Oro” seguiram, recentemente, outros eventos que já fazem parte da história da MIG: il “Festival d’autore” – Prémio Carlo Pozzi, reservado somente para os estudantes dos institutos “alberghiero” (instituto de ensino superior aonde os jovens podem estudar para se especializar no mundo dos hotéis e dos restaurantes); o concurso “Gelaterie in web”, reservado aos melhores sites de sorveterias; o prémio “Mastri Gelatieri”, que instituímos em 1996 para dar o lustre certo para a obra das famílias de sorveteiros que contribuíram em modo incisivo para a valorização do sorvete artesanal italiano no mundo e, por ultimo, o prémio “Innovazione MIG Longarone Fiere”, instituído o ano passado para ressaltar aquelas empresas que são as mais inovadoras no setor dos equipamentos de produção ou na preparação de produtos e ingredientes para a sorveteria artesanal.
Por ultimo eu gostaria de sublinhar aqui que Longarone Fiere, junto com as Associações dos Sorveteiros Italianos no exterior e com a Artglace, foi protagonista da instituição, pela parte do Parlamento Europeu, do Dia Europeu do Sorvete Artesanal: a partir de 2013, o dia 24 de março de cada ano e em todos os países da União Europeia o sorvete é festejado como produto alimentar que valoriza as produções típicas de cada território europeu. É uma iniciativa que nasceu na Feira em Longarone, e que alcançou o sucesso no mês de julho de 2012 com a aprovação do Parlamento de Estrasburgo. É o depoimento que até de uma pequena feira como a nossa podem nascer e se realizar grandes projetos, e hoje queremos propor também aos nossos amigos de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, e com eles aos outros estados do Sul do Brasil que há anos hospedam os filhos da nossa emigração veneta e bellunense em particular, de fazer parte da grande família dos amigos da MIG para desenvolver aqui também, juntos, a cultura do sorvete artesanal e de realizar, junto com as empresas brasileiras e italianas que gostariam de se unir, novos projetos de cooperação che valorizem as vossas e nossas capacidades e competências.

 

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