Terça-Feira, 26 de Novembro de 2013, 11h:54 A | A

Claudio Zin, senador italiano do Maie pela América do Sul, advoga o fim da lei sobre cidadania por direito de sangue

CURITIBA – PR – Se as coisas continuarem assim, dentro em breve os italianos no mundo serão 650 milhões. Preocupado com isso, o senador ítalo-argentino Claudio Zin, eleito ao Parlamento Italiano na chapa do Maie – Movimento Associativo Italiani all'Estero nas últimas eleições (46.538 votos), defende o fim da lei atual que regula a cidadania italiana, baseada na sua transmissão por direito de sangue. Zin disse que “a lei atual que concede a cidadania italiana não tem mais sentido”, segundo informou o conselheiro Walter Petruzziello, do Brasil, ao editor da revista Insieme.

A surpreendente posição do senador ítalo-argentino foi manifestada em seu pronunciamento durante o encontro havido hoje (26.11.2013) no Senado, entre senadores e os conselheiros do CGIE - Consiglio Generale degli Italiani all'Estero que até sexta-feira próxima estão em Assembléia Plenária em Roma. “O senador Claudio Zin – disse Walter Petruzziello -, “defende a alteração da lei, utilizando-se de outro sistema, como, por exemplo, o espanhol ou o alemão”. Na segunda-feira, os conselheiros do CGIE estiveram na Câmara dos Deputados, onde houve cobrança acerca da atuação parlamentar em defesa dos interesses dos italianos no mundo.

As palavras de Zin lembram episódio semelhante em que se envolveu, em legislatura anterior, o então senador Edoardo Pollastri, do Brasil, quando também se dizia alarmado com o potencial número de requerentes da cidadania italiana em todo mundo e hipotizando terem direito a ela também Adão e Eva. Pressionado pelos eleitores ítalo-brasileiros, Pollastri teve que mudar de posição e esquecer seu velho mote.

Curioso é que o senador Zin (um médico nefrologista de profissão e ex-professor de Medicina em Buenos Aires, ex-secretário da Saúde da Província de Buenos Aires, nascido em Bolzano, Itália, em 1947) é o vice-presidente do Maie na Argentina, partido fundado e comandado pelo ítalo-descendente Ricardo Merlo, que até aqui tem defendido a aplicação do reconhecimento à cidadania por direito de sangue aos ítalo-descendentes, principalmente da América do Sul, onde se concentra a maior comunidade itálica do mundo. Enquanto Merlo tem seu próprio grupo no Parlamento, Zin, que pertencia ao grupo Scelta Civica per l'Italia, passou recentemente ao grupo Per le Autonomie. Zin é membro da Terceira Comissão Permanente (Affari esteri, emigrazione) e vice-presidente do Comitato per le queistioni degli italiani all'estero.

O problema da aplicação da atual lei sobre a cidadania é tema recorrente entre as comunidades ítalo-descendentes do continente sul-americano, principalmente no Brasil, onde se concentra o maior número de detentores de tal direito e onde a rede consular nunca teve estrutura adequada para o atendimento da grande demanda verificada a partir dos anos 90. Por motivações nunca explicitadas claramente, a comunidade ítalo-brasileira “ficou para trás” também durante a fracassada “task force”, criada a partir de proposta orçamentária do então senador Pollastri, enquanto a Argentina teve seus principais problemas resolvidos. Divulga-se que os interessados inscritos nas “filas da cidadania” diante dos consulados brasileiros sejam hoje em torno de 800 mil. Embora a procura sempre tenha sido alta, dos cerca de 30 milhões de ítalo-brasileiros, apenas pouco mais de 300 mil puderam até aqui fazer demonstrar o seu direito.

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